Hoje nãofiz o planejamento, tive que sair para a reunião do Consu de carro pois acordei e estava chovendo ( e era praticamente o foco do dia).
A reunião foi boa, conversei com diversos conselheiros e debati com os alunos de modo a cobrar a sistematização das eleições discentes através do detalhamento da resolução Consu.
Não gostei que, por estar cansado apresentei menor controle sobre o nervosismo, que ficou aparente numas falas tremida e corrida, além disso, acabei perdendo a oportunidade de destacar pontos importantes.
Após sair da reunião, frustrado por não ter me expressado com a devida cadência e me colocado de forma persuasiva, fui a praça da Paz e sentei na terra em baixo de uma árvore que ficava no centro de uma pequena elevação, franqueada por várias outras árvores do lado esquerdo. Fiquei pensando se o modo em que levava minha vida era o melhor possível, se não valeria mais a pena eu abrir mão dessas convicções e passar a ter uma vida "normal", me formar, entrar num emprego, ter um bom salário... casar e curtir umas viagens nos fins de semana e férias... concluí que não, se chegasse ao final de minha vida, e, vendo para trás, concluísse que tudo o que fiz foi simplesmente me moldar a sociedade em que estava oinserido, sem contribuir em nada de realmente bom, me frustraria e perderia minha essência. Fui à reunião de IC. Saindo dela, me encontrei com um amigo para conversar, ele é homossexual e já havia se declarado a mim, eu deixei claro que só queria amizade e que era hétero, mas ainda assim mantivemos contato, eu por causa da amizade, ele, talvez pelos dois motivos. Gosto de conversar com ele pois já tenho uma boa confiança nele e não preciso ficar pensando no que falar ou não, consigo me expressar e abordar temas que teria dificuldade de abordar com outros. É curioso, nunca tive esse tipo de relacionamento e com as pessoas com quem convivo há muito mais tempo não consigo agir assim, parece que a cultura de nosso modo de interagir é mais forte, nos forçando a manter aquele rito de "amigos distantes" com que eu me relacionava com todos os meus amigos outrora. Mass enfim, com meus novos amigos não tenho essa cultura pré-estabelecida e consigo me expressar com maior liberdade, e nesse dia conversamos a respeito de temas bem interessante e difíceis de se avaliar. Ele me explicou sua concepção de família, um casal que se ama e que decide criar uma criança, e vários outros aspectos decorrentes de seu perfil. Eu ouvi e tentei entender, de fato, uma coisa que percebi é que muito de nossas predisposições e até mesmo decisões são baseadas somente na familiaridade com o tema, na cultura, por isso, decidi me imergir em diversas culturas para tentar entender melhor as relações entre elas e o comportamento das pessoas que as compõe. A impressão que tenho é que as rixas e o ódio entre as pessoas é uma consequência do distanciamento e desconhecimento daquilo com que não nos identificamos, e portanto, tememos. Minhas perguntasa sobre a definição dele de amor, família e dignidade, como esperado, não trouxeram respostas objetivas, mas me permitiram entender um pouco do conceito dele a respeito de cada ponto. Também foi bom para que, falando, eu esclarecesse meu novo modo de atuar quanto a relacionamentos, onde investirei no amor mesmo que não seja a pessoa perfeita, pois não faz sentido eu dizer que vivo para amar o próximo e me resignar a uma das mais belas formas de amar alguém que é o amor entre duas pessoas na forma de um relacionamento. Falei pra ele da minha abstinência sexual e de como considero o sexo por si só vazio e que, embora com certeza gostaria, ou teria prazer, em ter relações com frequência, não via muito sentido em fazê-lo se não fosse com a pessoa a quem eu realmente amasse. Ele perguntou se isso não teria alguma implicação pscológica, ao que respondi que não sabia, mas que achava a melhor maneira de agir. Também falei sobre como via o amor de dois modos, o primeiro sendo aquele da paixão, que seria o amor influenciado por estímulos biológicos e que chegava a ser egoísta, de certa forma, pois visa apenas a própria felicidade (no fundo). Por isso que acabando a paixão muitos relacionamentos acabam. O outro modo do amor seria aquele que refletiria nossos anseios pelo que é eterno e nossa admiração pelo conceito de fidelidade. Nesse caso, o amor consistiria de uma decisão de fazer bem ao outro e, apesar de não ter maisi a recompensa hormonal de uma paixão, continuar seguindo junto com a pessoa para o resto da vida, numa parceria e amizade mútua. Comentei sobre como não acreditava na visão hollywoodiana de que teemos apenas uma pessoa que nos será a "cara metade" e que poderemos amar, na realidade, fosse assim estaríamos fadados a solidão, visto existirem 7 bilhões de pessoas no mundo, mas acredito que existam aquelas com quem é possível se desenvolver o amor mais aprofundadamente, não se restringindo ao primeiro modo, mas avançando para a eternidade. Essas pessoas não são fáceis de encontrar, mas estão por aí, bastando nos esforçarmos para achar.
Escrevi esse texto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário